Ponte Maurício de Nassau.

Os arcos ao longo da ponte formam pequenas sacadas. Foto: skyscrapercity.com

Se você visita o blog com frequência sabe que quando falo no nome “ponte” estou falando da série Pontes do Recife. Hoje trago uma ponte que tem, sem dúvida, a história maaaaais engraçada e inacreditável que você já ouviu. Você vai ler e vai pensar que é estória de pescador. O pior (digo: melhor), amigos, é que é verdade das mais verdadeiras. Nada é invenção da minha cabeça! Vamos à Ponte Maurício de Nassau, aquela que parece mentira, mas não é.

Para os mais íntimos ela tem outro nome: Ponte do Boi Voador!

Esta ponte foi construída na época em que os holandeses dominaram estas terras. A ponte começou a ser construída em 1640 por Maurício de Nassau. Ficou pronta em 1643 e foi a primeira grande ponte construída no Brasil! Na verdade, sobre este fato há controvérsias, alguns dizem que foi a primeira ponte, outros dizem que foi a primeira grande ponte, uns dizem que foi do Brasil outros da América Latina. Bem, vamos aos fatos!

Conta a história que o Conde Nassau foi um homem muito audaciosos neste projeto. A construção, feita em madeira, extrapolou as verbas que tinham sido destinadas à obra pela Companhia das Índias Ocidentais. O Conde, que de besta não tinha nada, arrumou um jeito de resolver o problema: anunciou aos quatro ventos que, durante a inauguração da ponte, um boi iria voar! Isso mesmo, um boi ia voar. Claro que para ver tamanha façanha seria necessário que as pessoas pagassem um pedágio. Pense num bicho esperto, matou dois coelhos com uma cajadada só: conseguiu dois mil florins para financiar a obra e ainda atraiu publicidade para seu feito!

A atual ponte. Foto: lalaisca.blogspot.com

Só tinha um problema: a galera não ia gostar de pagar e não ver nenhum boi voador, né? O boi tinha que voar, afinal era o frisson da época os moradores da cidade, pela primeira vez, atravessarem o rio Capibaribe por uma ponte. Mauricinho, que nas vidas passadas devia ter sido mágico, arrumou um truque para fazer o boi voar. Era o seguinte: o bichano era empalhado e foi suspenso por cordas estrategicamente escondidas. Roldanas fazia o boi voar de um lado pro outro da ponte. Pra tudo ganhar aquele ar de realidade, conta-se que a inauguração foi à noite, quando tudo estava mais breu, dificultando a visualização das cordas. A inauguração ocorreu em 28/02/1644 e foi um sucesso!

Nas suas cabeceiras existiam dois arcos: o arco da Conceição, do lado do bairro do Recife, e o arco de Santo Antônio do lado do bairro  adivinha de quê? Bairro de Santo Antônio. Esta primeira estrutura foi substituída por uma ponte metálica lá por 1865.

Aí depois, já em 1917, surge, no mesmo lugar, a ponte que hoje vemos, em concreto. Atualmente ela tem uns arcos com espécies de lampiões bem bonitinhos que parecem formar pequenas sacadas ao longo do caminho para se admirar o rio, é lindo! Há ainda uma estátua de um poeta numa das calçadas e também as 4 estátuas em bronze que guardam as entradas, todas mulheres:

Uma das cabeceiras com suas estátuas. Foto: felipeoneill.blogspot.com

– Uma delas discursa.

– Outra é a Justiça que vem como todo o seu aparato: espada e balança.

– Há ainda a deusa padroeira dos campos cultivadores

– A última mulher está com canhões e sacos de mercadorias aos seus pés.

Ainda, numa das cabeceiras, pode-se ler a seguinte frase:

“Na entrada desta ponte, a primeira feita no Brasil e levantada neste local por Maurício de Nassau, o fundador da cidade, existiu o arco da conceição, com uma das portas que se fechava, edificada em 1645 e demolida em 1913, por exigência do trânsito.”

O antigo Arco da Conceição. Foto: palavrarocha.blogspot.com

Minha nota: 10 (pela esperteza do Mauricinho, o cara era gênio!)

Localização: Fica pertinho do Paço Alfândega. No mapa é esta segunda ponte mais próxima do mar.

 

Se você é novo por aqui e não acompanha a série ou ficou curioso para ver as outras, clique nos links abaixo para ver as pontes que já passaram por aqui. 😉

Ponte Velha

Ponte Giratória

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Uma resposta para “Ponte Maurício de Nassau.

  1. Pingback: Sobre a série Pontes do Recife. | naViagemcomCamila·

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