Forte do Brum.

Férias chegaram e como não vou viajar resolvi arrastar meu namorado pra um programinha cultural na minha cidade, Recife. Fomos conhecer o Museu Militar Forte do Brum. Quer ir conosco?! Então, vamo que vamo!

A entrada do Forte do Brum.

Um pouquinho da história do Forte…

O Forte começou a ser construído ainda antes da invasão holandesa, no lugar onde antes desde 1595 havia um local de proteção. Em 1626 os portugueses iniciaram a construção do que viria a ser o Forte. Quando os holandeses tomaram conta geral por aqui continuaram a construção da fortaleza e o feitiço virou contra o feiticeiro, né?

Nesta época deram um nome holandês ao Forte e aí você já saca a bronca linguística que isso iria gerar. O enrolantion entrou em cena e ao invés de a população chamar pelo nome certo chamaram de Forte do Brum, já que o nome estranho tinha uma sonoridade parecida. Curioso pra saber que nome esquisito era esse que acabou virando ‘Brum’? Era  Forte Bruyne.  Bruyne era o sobrenome do cara importante que virou Brum por essas bandas!

Atualmente o Forte é gerenciado pelo Exército e foi um soldado que foi nos contando toda a história ao longo do passeio.

Acho que dei uma bola dentro na fotografia, né? Lindo o verdinha da grama com as cores da pintura. Hoje o céu de Recife me ajudou a completar o visual! 🙂

As salas e exposições.

Nas salas onde antes ficava descansando a galera hoje há salas temáticas. Tem uma sobre os armamentos e artefatos usados na 2ª Guerra Mudial pelo Exército Brasileiro. Lá fica o símbolo da cobra fumando já que na época se dizia que era mais fácil uma cobra fumar do que o Exército Brasileiro ir à guerra. Os caras não só foram como tiraram onda fazendo de símbolo deles a cobra fumando! Há também metralhadoras (algumas atingiam a marca dos 1000 tiros por minuto) e kits de primeiros socorros. É interessante.

Outra sala guarda achados arqueológicos de escavações feitas no forte, com destaque para os cachimbos holandeses e um super tecnológico ferro de passar roupas antigão. Também nesta sala está um esqueleto de um combatente da Batalha dos Montes Guararapes. O cara tem terço e tudo na mão (ou no que sobrou dela).

O boneco representa Henrique Dias, o cara que dá nome a uma rua perto da minha casa. Reparem no braço do escudo. 😉

Há ainda outras salas sendo uma delas uma pinacoteca com exposições temporárias, outra só com os responsaveis pela expulsão dos holandeses, incluindo um negro e um índio. O negro era Henrique Dias e o índio Felipe Camarão. Tirei logo foto de Henrique Dias porque é o nome de uma rua pertinho da minha casa. Nada como conhecer melhor a sua própria história, né? O negão ficou com a mão machucada e arrancou ela fora, aí usava escudo no braço que não tinha mais mão. Cabra macho da peste, viu?!

Tem outra sala só com as bandeiras que o Brasil já teve e as bandeiras dos Estados do Nordeste. As do Nordeste só sabia reconhecer as da Paraíba e Bahia, shame on me! No entanto, o que chama mesmo atenção é o tanto de bandeira que o país já teve. Foram tantas que até fiz uns cliques!

Aquela primeira lá da esquerda, com a cruz de Malta, foi a primeira bandeira do Brasil. Como não havia uma facilidade muito grande de mandar um torpedo pra Portugal confeccionar uma bandeira, era a bandeira dos navios que representava as novas terras.

Os anos foram passando e a bandeira mudando ate chegar neste último modelo da direita, já bem próximo do desenho que temos hoje.

Nesta sala também está uma homenagem de Francisco Brennand (artista local) em homenagem à Frei Caneca. Eu não sabia, mas foi Frei Caneca quem desenhou a bandeira de Pernambuco!

Mas o que me encantou mesmo foi a construção em si. O lugar é lindo, gente!

O Forte em si.

Um lado do Forte é todo reto, porque ali era onde o mar batia, hoje em dia o mar está um pouco mais à frente, pois foi construído o porto do Recife. Quando você sai da curva de entrada há um pátio lindo, todo verdinho que contrasta com os tons de branco e amarelo da pintura.

Visão da parte superior do Forte, onde ficam os canhões, do pátio interno. O prédio atrás do Forte é da Prefeitura da cidade, não consegui excluí-lo da linda paisagem. 😦

Quando os holandeses foram expulsos o Forte foi desativado e depois utilizado como uma cadeia. Por isso algumas salas tem grades nas portas e janelas.

Olha a vista que os prisioneiros tinham do pátio do Forte. É uma bela vita, mas queria ficar trancafiada aí não.

Essa janela aí tinha grade dupla. Os caras que ficavam aqui não deviam ser muito queridos. Medo!

Continuando a visita o pátio interno guarda ainda uma surpresinha: um sítio arqueológico a céu aberto. Lá estão 3 construções: um poço, um chafariz e o local onde a pólvora era guardada (creio que o nome técnico é paiol). O poço tem 3,8m de profundidade. O nosso guia explicou que a pólvora tinha de ficar perto da água para o caso de haver explosões. Outro motivo pelo qual ela era guardada ali é que se houvesse explosão não abalaria a estrutura do Forte. Esse era outro motivo pelo qual ficava numa área aberta, no meio do pátio interno.

Viram que o paiol fica quase que no meio do pátio? Espertinhos os caras, né?

De cima para baixo: o paiol, o chafariz e o poço.

O compridinho do meio é o chafariz. Nosso guia disse que ele era usado pra quando a água do poço estivesse muito baixa. Tem escadinha e tudo pra descer.

Pensa que acabou? Nada, filhinho. Agora nossa visita vai para a área superior do Forte onde estão os astros da festa – os canhões! Tem gente que vai lá e eles fazem um auê atirando com os canhões, na minha vez não teve. Mas eles explicam como são feitos os canhões, como atira e mostram uns fossos onde os carrinhos que dão suporte aos canhões ficam. Com a explosão o canhão se desloca para trás e o carrinho bate no fosso.

O buraco onde o carrinho do canhão andava com a pressão dos tiros.

Os carrinhos que seguram os canhões.

Curiosidades sobre o Forte:

A entrada em curva do Forte.

  • A entrada do Forte tem uma curva pra que quem estivesse fora não pudesse ver quantos homens havia dentro do Forte.
  • As rampas que dão acesso à área superior do Forte tem tijolos aplicados com uma técnica portuguesa que evita o desgaste da pedra e facilita o escoamento de água. Além de tudo são antiderrapantes! Quem disse que português é burro, fio?
  • Os canhões atiram até hoje! Claro que agora não mais aquelas bolas de ferro.
  • O chão da parte superior do Forte foi feito com os arrecifes, já que a pedreira mais próxima ficava muuito longe na época em que o Forte foi construído. É possível ver restos de conchinhas no chão. Quer catar?
  • Há uma capelinha dentro do Forte. Ela é de 1669 e se chama Capela de São João Batista.
  • É uma capelinha mesmo, bem pequetitita.

A rampa de acesso à área superior e seus tijolinhos aplicados com a técnica dos portugueses.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Amigos viajantes, o post já tá super giga. Ainda teria uma série de outros detalhes sobre o Forte, mas fica de surpresa para quem lá for, né?  A visita vale muito. Quem vier à Recife deve conhecer e se você mora aqui também tem de conhecer mais um pedacinho da nossa história!

Informações práticas

– Visitação:

De 3ª a 6ª das 09h às 16:30h

Sábados, domingos e feriados das 14h às 17h.

– Telefones: (81) 3224-4620 e 3224-7559.

E você, costuma visitar os locais históricos/pontos turísticos da sua cidade? Conta pra mim nos comentários aqui embaixo. Vou adorar saber!

Beijos.

Anúncios

14 Respostas para “Forte do Brum.

  1. Para a visitação é necessário fazer algum tipo de reserva ou é só chegar e entrar? A entrada é gratuita? Pretendo viajar para Pernambuco esse ano e estou pesquisando sobre pontos turísticos…
    Dá para ir de ônibus de Boa Viagem até o Forte? Sabe me dizer que ônibus?
    Obrigada e adorei seu relato sobre o Forte…

    • Oi, Rebeca!

      Não precisa fazer reserva não. A entrada é gratuita, pelo que me lembro.

      Dá para ir de ônibus sim. Mas recomendo que você vá num horário de movimento porque o forte fica numa área que circulam poucos pedestres. Você vai de ônibus, desce na parada e, na volta, pega na mesma parada.

      Não sei qual o bus de Boa Viagem. Mas posso te dizer que o forte é pertinho da prefeitura da cidade. E quando o ônibus passa pela prefeitura da cidade tem escrito na frente dele. Aí você pode perguntar na parada se passa pela prefeitura.

      Espero que te ajude. 😉
      Beijo e boa viagem!!!

  2. Pingback: Museu do Mamulengo – Espaço Tiridá | naViagemcomCamila·

  3. Pingback: Roteiro de carro pelo Nordeste. | naViagemcomCamila·

  4. Oi Camila, vc sabia que eu casei ai? Ou melhor, a recepção foi ai….lugar lindo e cheio de história, sem aquela mesmice de todo dia. Recomendo uma visita sim a este lugar…e por que não casar? beijo

  5. Eu ia com uma amiga, mas ela terminou indo antes de mim… Mas ainda tá na minha lista, assim como o forte das 5 pontas… Parabéns Maguinha! hehehehe

  6. Olá! Sou de Recife e adoro conhecer os pontos turísticos da minha cidade. Inclusive visitei também recentemente o forte do Brum e digo: vale muito a pena dar uma passadinha lá. Pra quem gosta de visitar essas construções assim como eu, também aconselho ir no forte Orange em Itamaracá e no forte das Cinco Pontas no Recife. Parabéns pelo blog, Camila!

Que tal deixar sua opinião?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s