Recifeando – Apipucos

Nossa série de mini roteiros de Recife hoje vai para Apipucos! Um bairro calminho e pacato na zona norte da cidade que traz casario do século XVIII super bem preservado e as memórias de Gilberto Freyre. Vamo ou bora?

Casario Oitocentista de Apipucos.

casario apipucos

O colorido das casinhas do século XVIII no bairro de Apipucos. Fotos: naViagemcomCamila.

Não sei bem de onde vem o nome engraçado que o bairro leva, mas com certeza deve ser de origem indígena. Lá a vida corre mansa, numa calmaria digna de interior, nem parece que é Recife!

casario apipucos recife

Parece que a gente entrou na máquina do tempo e voltou uns séculos, né?! Foto: naViagemcomCamila.

Vamos visitar 2 lugares do bairro: o casario oitocentista e a Fundação Gilberto Freyre.

O colorido casario é um charme no bairro. Combina com o ritmo lento e parece mesmo que a gente voltou no tempo quando vê aquelas casinhas enfeitando na paisagem.

Pertinho das casa antigas está o açude de Apipucos.  Estão construindo uma praça ou pier no local, não sei bem. Atualmente não tem muita coisa para se ver além do açude e nem estrutura para parar e apreciar a vista.

Caminhando mais uns 200 metros vem nossa segunda parada do roteiro: a Casa-Museu Magdalena e Gilberto Freyre.

Casa-Museu Magdalena e Gilberto Freyre.

fundação gilberto freyre

A Casa-Museu Magdalena e Gilberto Freyre. Foto: naViagemcomCamila.

A casa-grande do século XIX estava em ruínas quando foi comprada por Gilberto que lá foi morar com Magdalena Freyre. Dentro a casa preserva os móveis, objetos, o jeito do casal. Não é possível tirar fotos do interior, mas conto um pouquinho de como é lá.

Atualização: consegui junto à Fundação Gilberto Freyre liberação de umas fotos para mostrar a casa por dentro para vocês! Um obrigada super especial à Manuella Falcão pela gentileza!

Casa Museu Gilberto Freyre

Reparem nos azulejos protugueses da sala de jantar. Num destes móveis fica o famoso licor de pitanga, especialidade dos homens Freye.
Créditos: CasaMuseu_SalaJantar – Foto de Tuca Siqueira. Acervo da Fundação Gilberto Freyre

Na sala a gente já se depara com um monte de livros. Um monte mesmo, quase não há parede livre. Todas estão com imensas estantes apinhadas de livros. Perguntei à minha simpática guia se ali era a biblioteca e ela logo disse que não. Gilberto tinha mais de 40 mil livros, ali só estavam alguns deles!

entrada casa museu  magdalena e gilberto freyre

A entrada da Casa-Museu, que fica no simpático bairro de Apipucos. Foto: naViagemcomCamila.

O cara era O Cara pros que não sabem nadica de nada sobre ele. Ele era sociólogo e antropólogo (dentre outras atividades, era muita profissão que o rapaz tinha) e se destacou por escrever Casa Grande&Senzala retratando a vida no ciclo da cana de açúcar nos engenhos. O homem era tão importante que ele foi um dos poucos agraciados por Portugal com uma tiragem exclusivíssima de Os Lusíadas. Ganhou muitas medalhas e condecorações e reconhecimento inclusive de Sir pela Coroa Britânica. Dá pra perceber que Gilberto era alguém na noite ‘meiismo’. 

Na casa chamam atenção as peças de azulejos portugueses da sala de jantar e a biblioteca, que tem a poltrona na qual ele costumava escrever e um boneco de papel marchê reproduzindo ele em tamanho natural e com as roupas do próprio, exatamente na posição que ele gostava de escrever: com uma das pernas pra cima.

A área externa da casa tem um memorial que foi construído no centenário de nascimento de Gilberto com um mural cheio de desenhos que fazem referências às suas obras e pertinho dali está o caminho da pitangueiras. Recheado de pitangas com as quais Gilberto fazia um licor que servia aos que iam à sua casa. Segundo Alcione, minha guia, a receita se perdeu porque só os homens Freyre sabiam da fórmula. 

casa museu magdalena e gilberto freyre

Fotos: naViagemcomCamila.

Ainda tive a sorte de conhecer no terracinho da Casa (que é um charme à parte) a filha de Gilberto, dona Sônia, que preside a Fundação Gilberto Freyre. Fiquei toda feliz e disse que o pai dela escolheu um lugar bem especial para morar. Ela disse que seu pai escolheu aquele lugar porque perto dali havia padres. Segundo ela Gilberto dizia que os padres sempre sabiam dos bons lugares para se morar. Quando falei que estava ali porque escrevia um blog sobre viagens e sobre Recife completou que eu precisava conhecer o livro de seu pai Guia Prático Histórico e Sentimental da Cidade do Recife. Como nunca havia lido nenhuma obra de Gilberto decidi que não havia forma mais apropriada de ser introduzida no universo ‘Freyrista’ e comprei um na lojinha da Casa-Museu. 🙂

livro guia prático, histórico e sentimental da cidade do recife

Meu primeiro livro de Gilberto Freyre. Não poderia ter mais a ver comigo! Amei!!!

O lugar é um aconchego só. Combina perfeitamente com o bairro que parece ter ficado lá atrás no tempo. É como se ele, o tempo, parasse e a gente só curtisse as pitangas, cheiro de mato e os livros sentadinho no terraço de Gilberto com um bom dedo de prosa. 

Tudo parece dizer: sente, fique à vontade e vamos papear  tomando licor de pitanga.

Visitação: segunda a sexta das 09 às 17 horas.

Para quem quiser mais informações: http://www.fgf.org.br/

Para ver outros posts da série Recifeando:

A Praça da República.

A Rua do Imperador.

A Jaqueira.

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3 Respostas para “Recifeando – Apipucos

  1. Pingback: Roteiro de carro pelo Nordeste. | naViagemcomCamila·

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