São João de Arcoverde

Começo me desculpando pelo post atrasadíssimo. São João foi essa semana, a festa já está chegando ao fim aqui no Nordeste (é que ainda tem o São pedro, menos festejado, mas ainda assim lembrado). Mas fica o registro para sua festa junina no próximo ano.

O São João é uma festa muito tradicional aqui no Nordeste e mobiliza todos. É quando os Estados se voltam para o interior e as pessoas revivem seu passado ou infância: quase todo nordestino que mora nas capitais (na maioria das vezes as cidades mais desenvolvidas e com oportunidades) morou na infância no interior (meu caso) ou tem parentes lá.  É difícil encontrar gente da minha idade que não tenha nenhum interior para chamar de seu, que seja da capital e não tenha nenhuma raiz no interior. Então São João é a época de voltar lá e revier tudo isso: as pessoas em volta da fogueira, comidas de milho, conversa gostosa e muito forró.

Eu e meu namorado fomos convidados por um amigo para passar São João em Arcoverde,  uma cidade no interior do estado de Pernambuco (uns 260km de Recife) que tem a fama de ser a “Porteira do Sertão”. Meu namorado é totalmente urbano e não conhece quase nada de São João. Eu sou acostumada com as festinhas de interior e com as mega festas de Campina Grande e Caruaru  sobre as quais já falei aqui no blog. E lá fomos nós…

Fotos: naViagemcomCamila.

Fotos: naViagemcomCamila.

Arcoverde deve ser agora a festa que rolava uns 30 anos atrás em Caruaru e Campina. O ponto bom disso é que a festa (ainda) é menor e mais organizada. Sem brigas, sem aperto de tanta gente e com mais originalidade, Arcoverde inova no quesito: multiculturalidade. Tem pólos de todo tipo de música: de rock à música gospel tem de tudo um pouco. Felicidade dos que não curtem muito forró, mas não abrem mão da festança junina.

A vila que dava todo um charme à festa. Foto: naViagemcomCamila.

A vila que dava todo um charme à festa. Foto: naViagemcomCamila.

Olhe o mimo da decoração da vila cenográfica. Tudo no capricho! Foto: naViagemcomCamila.

Olhe o mimo da decoração da vila cenográfica. Tudo no capricho! Foto: naViagemcomCamila.

Tinha vila cenográfica, os pólos com shows, palhoção com forró pé de serra… Como a cidade é relativamente pequena ainda é possível ver algumas tradições das cidades pequenas por lá. Na noite de São João é possível ver uma fogueira acesa na frente de cada casa (mesmo que ninguém vá ficar lá perto). A gente lava os cabelos para saber que eles vão ficar fedendo à fumaça o resto da noite, mas tudo bem. As fogueiras foram providenciais para espantar o frio que fazia no sertão. É, no sertão faz frio à noite, meu amigo. E como faz!

bonecos arcoverde

Eu entrei na onda e fui passear com a vovó e sua netinha pela festa de São João. Foto: naViagemcomCamila.

igreja cenográfica arcoverde

A igrejinha da cidade cenográfica de Arcoverde. Foto: naViagemcomCamila

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Os fogos estão por todo lugar e ver as criancinhas brincando em volta das fogueiras com chuvinha e traque de massa me lembrou minha infância. Para completar minha sessão nostalgia lá na vila cenográfica que recriava as origens de Arcoverde tinha a representação com bonecos de papel marchê da quadrilha. Todo ano eu dançava quadrilha com meus primos, era a quadrilha das crianças. Como eu amava aquilo… Sempre gostei de dança e ter uma quadrilha só das crianças era t-u-d-o para mim!

quadrilha arcoverde

A quadrilha com direito a noiva e tudo. Foto: naViagemcomCamila.

A quadrilha era tão bem feita que tinha até a moça que ‘sobrou’ sem par e ficou com a vassoura! Kakakakaka

A mocinha que sobrou e teve de dançar com a vassoura. Foto: naViagemcomCamila.

A mocinha que sobrou e teve de dançar com a vassoura. Foto: naViagemcomCamila.

Ok, parei com o papo: memórias da infância.

Outro coisa legal da cidade é que Arcoverde é a terra do samba de coco e vi uma apresentação lá super encantadora. Enquanto os instrumentos davam o ritmo os pés dos dançarinos ajudavam, formando uma espécie de sapateado que acompanhava a música. Mas o que mais impressionava, além da agilidade dos dançarinos era o povo, na rua, dançando, acompanhando, curtindo o som característico da sua terra. Ponto pros arcoverdenses!

Tinha samba de coco, mas também tinha forró pé de serra. Só faltou o triângulo do triangueiro! Foto: naViagemcomCamila.

Tinha samba de coco, mas também tinha forró pé de serra. Só faltou o triângulo do triangueiro! Foto: naViagemcomCamila.

E falando em samba de coco… Durante o dia, o point de lá é o Alto do Cruzeiro. Esse pólo funciona no começo da tarde e fica em local estratégico: no reduto onde se faz o autentico samba de coco de Arcoverde. O lugar se aproxima do que seria o Alto do Moura em Caruaru: gente jovem, bonita, clima de paquera e azaração e samba de coco rolando no palco.

Também demos uma fugida das festanças e nossos guias Natália e Thiago (meu obrigada para eles que nos aturaram) nos levaram para espiarmos a vista da cidade do outro Alto do Cruzeiro. É estranho, mas há 2 cruzeiros. Um é no meio da cidade e o outro fica bem no alto e de lá pegamos a despedida do sol no sertão.

por do sol sertão

O por do sol no sertão. Foto: naViagemcomCamila.

E aí? se apaixonou pelo São João na Porteira do Sertão? Arcoverde combinou tradição e festa animada e moderna. 

Para continuar viajando no universo do São João clique em:

São João: as grandes festas das capitais do forró

São João da tradição: as cidades pequenas de interior

São João modernoso: Patos

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2 Respostas para “São João de Arcoverde

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