Alcântara (Maranhão)

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Alcântara, a cidade que dá vontade de levar pra casa. Foto: naViagemcomCamila.

Era habitada por índios tupinambás. Aí vieram os franceses (mais uma vez eles) e se estabeleceram no século XVII. Depois da expulsão dos franceses o povoado virou a Vila de Santo Antônio de Alcântara em 1648 e era bem importante para a região. Cai no esquecimento por muito tempo e hoje é hit por aquelas bandas com seu casario, suas ruas feitas com minério de ferro, suas ruínas. Aí em 1948 é tombada Patrimônio Nacional.

Na velocidade 5 do créu (jura que você não sabe o que é isso?!) conto a História de Alcântara, a cidade do maranhão que mais me encantou! Ela é linda e que queria levar ela pra minha casa, gente!

Com 6500 habitantes no centro histórico, ela tem vida própria em relação à São Luís, apesar de estar apenas a 22 km de distância de barco do centro (tempo de viagem: 1 hora e uns 20 minutinhos), tendo como marcas registradas o doce de espécie e a Festa do Divino.

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Olha só a mercearia logo no desembarque dos barcos. Diga se a gente não se sente entrando num túnel do tempo?! Foto: naViagemcomCamila.

A cidadezinha parou no tempo mesmo!

Há um roteiro bem interessante que você pode fazer com um mapinha da cidade. Atenção: não compre o mapinha assim que chegar na cidade. Na ladeira, mais acima ele é vendido mais baratinho. 😉

Outra opção é seguir com um guia. Como eu viajei sozinha de “marre-derci”  preferi ir com guia. O serviço custou R$ 30,00. Talvez se estivesse num grupo seria mais fácil barganhar. Não precisa contratar previamente o guia, lá no desembarque eles já ficam à postos para te atender assim que o barco ancora.

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Os lampiões para ilumunar as ruas com suas pedras antigas. Achei muito bonitinhos. Foto: naViagemcomCamila.

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Ruínas e uma igreja lá ao fundo. Assim é a cidade, meio preservada, meio ruínas que encantam e fazem a gente voltar no tempo. Foto: naViagemcomCamila.

Dura 1 hora e pouco o passeio, mas o meu levou 3 horas. Sabe como sou: uma pessoa aficionada por história, causos, ficava querendo saber de todos os detalhes, enchendo o cara de perguntas e tirando mil fotos, aí aluguei o guia e acabou demorando mais do que ele previa e menos do que eu queria (buááá 😦 ). Chegou uma hora que o dispensei porque ela já tava sutilmente me apressando muito e eu ainda queria ver mais ruínas, e um chafariz, e uma outra igreja e tirar mais fotos, e…, e…  Uma chata de galocha, né? Mas essa sou eu! Queria aproveitar ao máximo aí dei um ‘beijo me liga’ para ele e fiquei perambulando sozinha.

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OO argo do Desterro com sua igrejinha (que na foto só dá para ver o muro) e seus sinos. Bela paisagem, não?! 🙂 Foto: naViagemcomCamila.

Nossa, tem um milhão de detalhes, de cantinhos, de causos que anotei, que li no mapinha que comprei (não esqueçam de comprar o mapinha caso sejam da “vibe velharia” como eu, é bem interessante), tanta tanta informação interessante!!! Tantas fotos legais que esse post ficou difícil de escrever porque queria colocar Alcântara inteirinha aqui pra vocês!

Mas resolvi condensar em alguns relatos e escolher só alguns cantinhos para falar sobre. Sabem por quê? Porque já havia lido um monte sobre a cidade, achei que já sabia de tudo. Aí quando lá cheguei houve um monte de outros lugares que me encantaram mais. É assim a graça de viajar: por mais que você pesquise e já saiba, sempre tem as coisas que te chamaram atenção e que outros relatos nem deram tanta importância. Cada um tem seu olhar.

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Esse aqui é o ponto turístico mais emblemático da cidade, o cartão postal – as ruínas da Igreja Matriz de São Mathias de 1622. Foto: naViagemcomCamila.

Selecionei 2 lugares que me chamaram atenção, mas vi uns 15 prédios históricos de igreja à ruínas de casa e palácios e amei tudo! Escolho só 2 pra ilustrar a beleza e História da cidade.

Museu Casa Histórica de Alcântara.

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A Casa Museu com seu mirante. Ter um desses era coisa de rico, viu? Foto: naViagemcomCamila.

A Casa pertenceu a 2 famílias ricas nos séculos XVIII e XIX. A segunda família, a dos Guimarães, era de comerciantes e o acervo deles hoje está exposto na casa. O objetivo do Museu Casa é contar os hábitos e vida cotidiana das pessoas nos séculos XVIII e XIX em Alcântara.

Na parte de baixo do sobrado ficava o comércio. Amei a tal da Botica, que seria o equivalente à farmácia da época, com seus frascos do século XIX. No andar superior ficava a casa que tem uns objetos interessantes que mostram o cotidiano das pessoas abastadas naquela época. Tem de penico à um bule francês que utilizavam para fazer água com gás (esse foi meu objeto favorito, achei a invenção o máximo!) à escarradeiras ou cuspideiras. Tem também as quarteiras, o gelágua do passado.

Cama, mesa e banho, tudo por lá nos faz lembrar como a modernidade é boa e nos dá um conforto danado, se comparamos àquele tempo.

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A escada que dá acesso à parte de cima da casa, onde os Guimarães moravam. Foto: naViagemcomCamila.

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A parte interna da casa. Não podia tirar fotos dos objetos, fiquei só com as da casa. Foto: naViagemcomCamila.

Todos os cômodos tem estórias inusitadas também como o quartos das moça solteiras que não podia ter janelas para a rua e o mirante, que ficava no que seria o sotão da casa, para hospedar (e isolar) os doentes.

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Modelando junto ao poço. Kakakaka. Foto: naViagemcomCamila.

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Os azulejos portugueses e isso aí em cima (que parece armador para rede) era usado para pendurar os candeeiros. Sem eletricidade a vida era complexa, viu? Foto: naViagemcomCamila.

Dica de amiga 1: dá uma certa preguicinha porque tem de subir as escadas, mas vá até o mirante, a vista lá de cima da Praça, ruínas da Matriz, pelourinho e do marzão ao fundo é linda de viver!

Dica de amiga 2: do ladinho da Casa Histórica de Alcântara fica o Museu Histórico de Alcântara, num prédio de azulejos azuis. Esse tem outros objetos interessantes, mas parece muito com o Museu Casa. Então se não tiver muito tempo escolha apenas 1 deles para ver.

Informações práticas:

Tem um preço para visitar a Casa, mas é coisa baratinha, tipo uns 5 reais. Ah, ela fecha pro almoço.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

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A igreja com seu galo lá no topo. Gamei, pronto, falei! Foto: naViagemcomCamila.

Tem algumas igrejas no passeio: umas são ruínas, outras são com ouro. Meu guia até me mostrou uma que, dizia ele, era a que tinha mais ouro no Brasil (não conhece ele a Capela Dourada, que já falei aqui: Recifeando – A Rua do Imperador, rá!). Mas a que mais me conquistou foi essa do Rosário dos Pretos. Ela era a igreja dos negros e não era tão suntuosa, mas tem seu charme. O padroeiro é São Benedito, um santo cuja imagem é negra. Minha paixão teve vários motivos:

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Toda a minha destreza tentando tocar o tambor de crioula 😛 . Foto: naViagemcomCamila.

– ela tem um galo no topo. Que outra igreja tem um galo no topo (me pergunto eu!)?

– lá eles tocavam (e ainda tocam, na época da Festa do Divino) um ritmo tipicamente maranhense – o tambor de crioula.

– veio um senhorzinho, assim que me viu entrar na igreja,  me atender e contar a história de São Benedito na maior boa vontade e ainda tocou um pouquinho de tambor de crioula para mim.

Volto ao ponto de antes: tem muuuito lugares lindos. Escolhi só 2 para falar, mas podia fazer uns 3 posts só para contar as belezas daquele lugar.

Saldo do dia: pernas e pés queimados (não passei protetor neles, passem!!!) e doloridos pela caminhada, mas culturalmente mais rica e encantada com a cidade. 🙂 

E você, já esteve em Alcântara? Se já foi conta pra gente o que achou, se ficou com vontade de ir e quer mais detalhes é só perguntar no campo comentários logo ali embaixo, fechado?! 

Como chegar em Alcântara?

Há 2 opções:

Ferry boat – ouvi falar que algumas pessoas vão de carro até lá. Não sei muitas informações sobre esse meio de transporte, mas há essa opção.

Barco – geralmente são 2 opções de horário de ida e mais 2 de volta. Os horários dependem da maré, portanto tem de ir lá conferir.

No dia em que lá estive tinha barco às 7:00 e 10:30 para ir e para voltar às 13:00 e 14:00h.

Apesar de eles dizerem que o catamarã ia sair às 7h, a maré estava muito baixa e só conseguimos embarcar às 8h depois de um carro nos levar até um outro ponto da Baía de São Marcos para o embarque.

Dica de amiga: o barco é um catamarã bem pequeno e até chegar lá passamos por mar aberto. Sugiro fortemente um dramin básico para os fracos (como euzinha!) que enjoam facilmente.

Valores: R$ 12,00 por trecho.

Onde comer em Alcântara?

O nome do lugar é Cantaria. Tem um outro restaurante onde eles levam turistas, mas nem se compara. A comida é ma-ra-vi-lho-sa (falei dela aqui Huuum… As comidinhas Maranhenses) e a vista do lugar é a ‘marlinda’ de todas!

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O arroz de cuxá é esse verde da esquerda. O prato aqui era um peixe na telha com molho de camarão. Putz! Sem querer deixar você salivando, mas tava muuuito bom! Foto: naViagemcomCamila.

Para ver os outros posts da viagem ao Maranhão é só clicar aí embaixo:

A Cidade dos Azulejos

Hum… As comidinhas maranhenses

O que São Luís tem para te mostrar

O espetáculo dos Lençóis Maranhenses

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4 Respostas para “Alcântara (Maranhão)

  1. Pingback: São Luís do Maranhão. | naViagemcomCamila·

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