Penedo e os Caminhos do Imperador

Minha última viagem tipo realização-de-sonho-de-consumo foi para São Luís do Maranhão (veja tudo que aprontei por lá aqui). Ainda faltam 3 lugares no Brasil para eu fechar minha listinha de lugares que preciso conhecer: Curitiba, Parintins (doida pelo boi!) e as cidades históricas mineiras. Tô quase lá!!!

Enquanto não ‘tico’ esses destinos vou me divertindo com o meu Nordeste querido. E aí fui conhecer melhor um lugar que acidentalmente apareceu no meu caminho: Penedo!

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O rio e o charme de Penedo. Foto: naViagemcomCamila.

Falo conhecer melhor porque Já havia estado em Penedo. Lá estive criança, com uns 9, 10 anos, mas não lembrava de nada. Minha única prova para mim mesma de que passei por lá são umas 3 ou 4 fotos reveladas daquele tempo em que as câmeras não eram digitais e as fotos ficavam péssimas, mas seriam  reveladas assim mesmo, afinal não dava para ficar comprando muitos rolos de filme. Contando assim nem dá para acreditar que tal tempo existiu.

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Apaixonando em 3… 2… 1… Foto: naViagemcomCamila.

Bem, a segunda vez foi na volta de uma viagem à trabalho. Estava voltando de Aracajú à trabalho quando cruzamos na balsa e eis que do outro lado a belezura inesperada do lugar me encantou. A chefe viu meu deslumbramento e perguntou se queria dar uma voltinha para ver a cidade. Demos a tal voltinha e aí fiquei com a certeza: tenho de voltar nesse lugar!

E assim surgiu minha história de amor à segunda vista com Penedo (afinal, a primeira não me lembrava). E o lugar entrou para a lista de desejos. O que vi, ouvi e senti na minha segunda e apaixonante visita ao lugar tá em Penedo, a jóia do Velho Chico.

O lugar é todo bem cuidado e preservado. As casinhas antigas banhadas pelo Velho Chico são um deleite pros olhos. Além disso a cidade teve uma visita ilustríssima que, de certa forma, mudou a estória do lugar.

O que ver?

Penedo faz parte de uma rota turística mara desenvolvida pelo governo alagoano – os Caminhos do Imperador. Ah, isso é bom frisar: existem 2 Penedos (que eu saiba), uma no Rio de Janeiro e outra em Alagoas. Essa aqui é a de Alagoas, fechado?!

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Não sei se o cara tava só sendo diplomático, mas acho que ele gostou de Penedo. Foto: naViagemcomCamila.

O roteiro turístico Caminhos do Imperador refaz o circuito feito por Dom Pedro II quando ele veio conhecer o Velho Chico. Em cada cidade por onde ele passou há placas com as impressões que o ‘homi’ teve do lugar. Ao que tudo indica ele veio de navio até a imperdível Piranhas (cidade sobre a qual vamos falar em breve) e de lá foi de cavalo até algum ponto do Rio São Francisco. Minhas pesquisas na net dizem que, já naquela época havia um projeto de transposição das águas do rio. Talvez nosso imperador tenha vindo ver o rio de perto e a viabilidade do projeto.

Aí é assim: a cidade já era um bibelô, com a visita do imperador ganhou mais fama e hoje tem um centro histórico lindinho!

Theatro Sete de Setembro.

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As estátuas que guardam o topo do teatro, o primeiro das Alagoas. Foto: naViagemcomCamila.

O teatro de Penedo, que foi o primeiro do Estado de Alagoas, tem formato de uma ferradura por dentro. Ele é pequeno, mas tem seu charme. Está na ativa até hoje. O lugar é mais bonito por fora do que por dentro, devo admitir.

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Ok, minha foto não foi muito feliz, mas ele tem a forma de uma ferradura, eu juuuro! 🙂 Foto: naViagemcomCamila.

Museu do Paço Imperial

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O por do sol no Velho Chico com o Paço de testemunha da belezura que é. Foto: naViagemcomCamila.

O Paço Imperial era a casa de um boy muito rico: o tal do Lemos Araújo. Tá, até aí nada demais. Gente rica tem em todo lugar, confere?

Acontece que era o ano de 1859, o imperador resolveu dar o ar da graça pelo Velho Chico e eis que Dom Pedro II viria se hospedar em Penedo. Havia um lugar (que você também pode visitar, fica uma ladeira – ufa! – acima) que hospedava os juízes, coletores de imposto, a galera do governo que chegava na cidade.

Maaas, o ‘homi’ não era qualquer um, era o Imperador. Então ele não poderia ficar em qualquer lugar, muito menos nesse que os funcionários do governo ficavam. Adivinha? O dono do sobrado teve de ceder seu lar doce lar para Pedrinho ficar.

Hoje o lugar é um museu com a mobília da casa no tempo de Vossa Majestade lá esteve.

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No terraço que serviu Dom Pedro II. Tô a cara da riquezaaa. Foto: naViagemcomCamila.

O museu abre todo dia.

Entrada: R$ 3,00.

Igreja Nossa Senhora da Corrente.

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Um dos pedacinhos mais belos da cidade: a Igreja de Nsa Sra da Corrente e a Pousada Colonial. Foto: naViagemcomCamila.

A igreja fica às margens do rio e foi construída em 1729. Ela junta um pouquinho de cada lugar: os azulejos são portugueses, o piso é inglês e eu achei ela com um estilo barroco. Lá dentro é possível ver um fundo falso no altar, onde o dono da igreja (é essa igreja era privada, tinha um dono) escondia escravos para libertá-los depois. Bem, pelo menos foi isso que meu guia contou.

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O teto da Igreja é puro luxo, né não?! Foto: naViagemcomCamila.

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O local onde os escravos eram escondidos. E eu pensando: coméque o cabra entra aí, Jesus?! Foto: naViagemcomCamila.

A visitinha é grátis (palavrinha mágica) e o ponto alto é ver o fundo falso pelo qual a galera passava. Tinha de ser meio contorcionista pra entrar ali, viu?!

Oratório da Forca

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O oratório da forca e seu altar pro cabra rezar antes de ser executado. Foto: naViagemcomCamila.

Caminhando pelas ruelas de Penedo é que a gente vai encontrando aqueles lugarzinhos, sabe? Lá estava eu perambulando ladeira acima e abaixo quando encontro uma casinha que mais parecia um resto de altar de igreja. Aí fui ler o quadrinho que explicava o lugar (good news: em Penedo tem várias plaquinha explicando o lugar J): oratório da forca. Ali era o lugar onde levavam os prisioneiros para passar a noite rezando no dia anterior ao enforcamento.

Mirante da Rocheira

A rocheira é um dos lugares dos quais se tem a melhor vista do rio, especialmente no por do sol. O lugar é uma delícia. Tem uns mirantes lindinhos e a gente consegue ver a imensidão do rio continente à dentro.

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A vista sensacional do rio do Mirante da Rocheira. Foto: naViagemcomCamila.

Lá tem um restaurante bem famoso, talvez o mais famoso da cidade, sobre o qual vou falar no post com as comidinhas de Penedo. Então tem 2 opções: ir ao restaurante ou ir aos mirantes curtir a vista.

Atravessar o Rio de Balsa

Ok, esse é o tipo de coisa que você tem de fazer em Penedo! Tem de cruzar o rio na balsa. Poderia ser, mas não é pela emoção de cruzar o rio de balsa. Nem tampouco pela cidadezinha que te espera do outro lado do rio (também poderia ser um bom motivo). É pela vista que você tem do centro histórico de Penedo da balsa. É lindo!!!

É lindo e foi essa vista que me fez querer voltar e conhecer melhor o lugar quando estava de passagem e Penedo cruzou meu caminho! Lá da balsa tu consegue ver o Paço Imperial, Igreja de Nsa Sra da Corrente e Pousada Colonial, uma vista imbatível que encanta!

R$ 19,00 – carro

R$ 2,00 – pessoa

Quanto tempo ficar?

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Foto: naViagemcomCamila.

Então, essa perguntinha é capciosa. Nós, eu e meu namorado ficamos 4 dias.

Aí você me pergunta: isso tudo Camila?

Aí eu respondo: calma, negão!

A gente mora em Recife, então o primeiro dia foi praticamente só de viagem. Inclusive depois tenho de contar os detalhes da viagem pela estrada mais bonita do Brasil-sil-sil eleita por um corpo de jurados de altíssimo gabarito composto por euzinha mesma e pelas caraminholas que habitam minha cabeça. Kakakakaka 😀 .

Voltando… Um dia foi praticamente só viajando e nós não ficamos só em Penedo. Tem um monte de lugar legal que vou mostrar pra você ao longo dos posts.  Creio que Penedo dá para explorar em 2 dias, com muita calma.

Onde ficar?

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A vista da Pousada Colonial que encanta. Foto: naViagemcomCamila.

Aparentemente só existem 3 opções: o famoso e antigo Hotel São Francisco e 2 pousadas O Laçador e a Pousada Colonial. Vou contra aqui minhas impressões sobre cada lugar. Digo impressões porque não fiquei hospedada nos 3 pra falar com propriedade.

Hotel São Francisco – tradicional, mas decadente ao mesmo tempo. A estrutura do hotel parece ter ficado na década de 70. Mas tem piscina, o café da manhã parece ser legal e tudo mais. É o maior da cidade.

Pousada Colonial – a melhor vista da cidade. Fiquei nessa. Adoro uma velharia e ela é num prédio antigo, bem na beira do rio, uma lindeza só. Ponto a ser melhorado é o café da manhã: é péssimo. Tinha visto comentários no booking sobre isso, mas achava que putz… é só um café da manhã, não tem como ser ruim! Meu amigo, tem sim. É horrível mesmo! Mas achei a pousada com um bom custo-benefício e só o fato de estar num prédio tombado e com aquela vista já foram tudo pra mim!

Pousada O Laçador – ela é um pouco mais em conta, em compensação fica num giradouro, e tem mais cara de dormitório de beira de estrada do que pousada. Vai precisar de carro pra tudo e se abrir a janela vai respirar a fumaça dos carro lá embaixo.

No próximo post contarei os passeios que fizemos no entorno de Penedo. Vai ter trepada em coqueiros (olha a maldade, meu povo!), cangas ao vento, farol abandonado e muito sol. Confie e verás! 

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11 Respostas para “Penedo e os Caminhos do Imperador

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