Piranhas e a Rota do Cangaço.

Calma e tranquilidade num barquinho a navegar pelo São Francisco ou uma trilha no rastro do mito Lampião?! Oh, dúvida cruel!

Pois bem, acabei o post passado (não viu? clique aqui, seu menino!) na dúvida sobre qual passeio fazer. Lá estava eu em Piranhas, com tempo contadinho para fazer apenas 1 dos passeios: cânions do São Francisco ou rota do cangaço.

Entre a calmaria das belas paisagens do Velho Chico e uma trilha com um pedaço da história de Virgulino, preferi ir ao encontro do ‘Homi’!

grota angicos

A Grota Angicos que testemunhou os últimos dias d temido Lampião. Foto: naViagemcomCamila.

A Rota do Cangaço

Entre o rio e Entremontes

são francisco

A voadeira que nos levou para a Rota do Cangaço. Foto: naViagemcomCamila.

Pegamos o barquinho chamado voadeira e seguimos pelo rio adentro. Destino: grota do angico, o lugar onde Lampião foi capturado e morto.

A paisagem é linda, dá aquela paz, sabe? Só a gente e o rio, largo, imeeenso e convidativo para um banho. Fomos navegando uns 20 minutos rio abaixo, curtindo os paredões de rochas, os mandacarus (uma espécie de cacto bem característico do sertão nordestino) e as águas incrivelmente verdes do rio.

No passeio que eu e meu namorado fizemos até a foz do rio em Piaçabuçu a guia disse que um dos apelidos do rio era rio das esmeraldas pela cor da água. Naquele momento achei que não fazia muito sentido, mas na altura de Piranhas o rio realmente tem um verde maravilhoso.

Lá ao longe vemos uma espécie de clareira com uma prainha, era ali que começaria nossa trilha rumo à Grota Angicos. Na verdade há 2 restaurantes de apoio com trilhas que levam à grota. O primeiro tem uma estrutura mais rústica e a trilha dele é mais rápida. O segundo, fica pouco mais de 1 km à frente e tem uma mega estrutura para descanso, só que a trilha dele tem uns 100 mt a mais. Você vai olhar para mim e dizer: que besteira, Camila. Deixa de ser mole, são só mais 100 mt. Vai nessa, negão…

Antes de irmos trilhar, demos uma passada num povoado: Entremontes. Ele fica na margem contrária ao Angicos e também teve a visita ilustre do Imperador, assim como Piaçabuçu, Penedo e Piranhas.

entremontes bordados

Os bordados de Entremontes. Foto: naViagemcomCamila.

Já viu que Pedrinho foi em tudo quanto é de lugar, né?! Entremontes, assim como Piranhas, parece ter parado no tempo. Lá o produto tipo exportação são as rendas! Tem uns 2 tipos básicos de renda, que as rendeiras pacientemente, coitadas, tentavam me explicar. O trabalho delas é lindo. A vista do rio lá de Entremontes consegue superar a de Piranhas.

vista entremontes

A vista lindinha do calmo povoado de Entremontes. Foto: naViagemcomCamila.

Bem, como estávamos de voadeira podíamos escolher em que restaurante ficar. Escolhemos fazer a trilha no primeiro restaurante (a que tinha 100 mts a menos). A trilha dura cerca de 1 hora. Como estávamos acordados desde muito cedo a fome já tava ‘comendo no centro’, como se diz por aqui. Aí pedimos um queijinho coalho com orégano e mel para recarregar as energias e seguir rumo à trilha.

vista são francisco

A vista do restaurante, minutos antes de começar a trilha. Foto: naViagemcomCamila.

queijo e mel

O queijo coalho com mel. Delicinha nordestina. Foto: naViagemcomCamila.

A trilha

trilha

Olha a cara de esbaforida!

Água em mãos e força nas pernas, lá fomos nós com nossas guias. A trilha tem uns 650 mts. Daria pouco mais de 1 km de ida e volta. O problema é que a trilha não é plana. Tem uma subida bem íngreme e muitas pedrinhas pelo caminho. Não é nada impossível de ser feito, mas tem de estar psicologicamente preparado para a ‘subidinha’.

Ao longo do caminho as guias vão contando a história de Lampião e dos seus feitos. E lá íamos nós, mata adentro, escutando os causos, a polêmica sobre a vida do cangaceiro (herói ou bandido?) como ele conheceu Maria Bonita, como ele chegou à Angicos e toda a caçada em torno do homem mais temido do nordeste.

Até que chegamos ao ponto exato onde o bando havia montado acampamento. O silêncio toma conta do lugar – a Grota Angicos. Ali antes devia ter corrido um riacho e junto à esse riacho o bando armou pouso e ficou. As guias contando como foram seus últimos dias, como foi a armadilha que fizeram para ele e como ele morreu. E aquele silêncio. Sabe quando você está num estado tal de concentração que você consegue ver a cena acontecendo bem ali diante dos seus olhos?

Foi assim comigo. Nossa, tudo muito emocionante. O lugar não é alegre, tem uma energia que faz a gente mergulhar no tempo e voltar os relógios para aqueles dias. Faz 75 anos que o bando de Lampião foi massacrado em Angicos, mas a força, intensidade daquele homem continua de alguma forma lá, intacta, encoberta pelos mandacarus, pelas pedras, pela caatinga.

grota angicos

Foto: naViagemcomCamila

Não dá para ir à Angicos e ficar indiferente. Me lembrou de alguma forma a casa onde Anne Frank se escondeu que visitei em Amsterdam. O sentimento não era de alegria, de leveza, de felicidade. Mas era um sentimento intenso, absolutamente necessário de se sentir naquele lugar.

Primeiro você se ferra (até os mais atléticos se ferram) para subir. Chega lá cansado, talvez com alguns arranhões dos espinhos da caatinga. Aí aquele silêncio, às vezes entrecortado por um passarinho, por uma cigarra. Naquele lugar, aquela história. Recomendo muiiito.

casa sertão

A reprodução da casa do rapaz que deu guarita ao grupo de lampião. Foto: naViagemcomccmaila.

Na volta passamos ainda pela casa da pessoa que deu guarita à Lampião, que escondeu o bando em suas terras. A casinha é simples, bem característica do sertão e tem objetos da época. O que mais me impressionou foi o peso que tinha uma simples panela. As mulheres não precisavam de academia de jeito nenhum, viu? Pense num bicho pesado!

Não era fácil ser dona de casa algumas décadas atrás, viu? Pense numa chaleira pesada.

Não era fácil ser dona de casa algumas décadas atrás, viu? Pense numa chaleira pesada.

Curtindo um som legal no rádio.

Curtindo um som legal no rádio.

Resolvemos desfrutar da estrutura do outro restaurante na volta da trilha. Pegamos nossa voadeira e rumamos para o restaurante e olhem só: depois de uma caminhada daquelas essas espreguiçadeiras e a água fria do rio são tudo de bom!

restaurante

Isso aqui é só uma parte das espreguiçadeiras, mesinhas, redes… O lugar é um oásis depois da trilha. Foto: naViagemcomCamila.

E aí, gostou da nossa escolha? Se você fez o outro passeio em Piranhas, o dos cânions, conte pra nós como foi pra gente ficar ainda mais na dúvida e querer fazer os 2!

E para ver todos os posts da nossa viagem nos passos dos Caminhos do Imperador vai clicando em:

Penedo

Foz do rio São Francisco

Piranhas dos cânions e cangaço

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Uma resposta para “Piranhas e a Rota do Cangaço.

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