10 coisas que eu descobri morando na França.

Faz pouco mais de 1 mês que cheguei à Paris. E dessa vez não foi à passeio, foi pra ficar um bom tempo. Quanto? Não sei. Mas queria essa experiência de renascimento, de aprender tudo de novo: falar, descobrir os lugares, conhecer gente… Enfim, me conhecer melhor estando fora da minha zona de conforto.

E cá estou eu!

concorde natal

Cheguei em Paris em pleno Natal. Iupi!!! Foto: naViagemcomCamila.

Tem sido um tempo de tantas descobertas, tão cheio que até fico sem tempo de blogar. Mas resolvi fazer uma compilação das minhas constatações nessa vida nova após 1 mês aqui. Não sei se todas são verdades, são apenas minhas impressões nesse pouco tempo aqui. Das coisas mais bestas que descobri até as minhas teorias antropológicas , lá vai minha lista:

1. Roupas de frio pesam.

sacrecoeurmontmartre

Passando um frio daqueles em Montmartre e cansada das roupas pesadas. Foto: naViagemcomCamila

Eu nunca tinha pensado nisso até usá-las diariamente. Sou bem magrinha, são uns poucos quilos (coitados) pra dar conta desse corpo e com o peso dos casacos a coisa ficou pior. Comecei a sentir uns cansaços na rua, sabe? Aí ficava me curvando, querendo sentar, e não sabia o que era. Aí comecei a observar o peso do casaco que carregava vestia e me dei conta! Eu, nordestina que sempre usa roupas muuuito leves, não estava acostumada com os pesados casacos de inverno.

2. Está frio? é sempre uma pergunta muito subjetiva.

O povo me pergunta: tá frio? Ai eu digo: tá, bem frio. Aí vem a próxima pergunta: quantos graus? Aí as reações à ‘quantos graus’ são as mais variadas, tem os que dizem que isso é pouco, outros dizem que isso é muito frio. É engraçado. Tem dias que faz 3° e eu tô de boa. Tem dias que faz 5° e eu quase congelo. Então se me perguntam ‘tá frio?’ e eu digo que está é porque para mim está, oras!

3. As ruas são muuuito confortáveis.

E não, eu nem menciono (a falta dos) os buracos. É o fato de elas serem largas, sacas? Você não faz grandes esforços para andar na rua: sem fiteiros, sem buracos, sem árvores, sem carros encostando em você. A calçada existe de verdade e não é considerada um espaço inútil, como eu acho que muitos pensam aí no Brasil.

4. Metrô é vida!

Gente, sempre fui fã de metrô. Mas agora que eu o utilizo todo dia descobri que ele é meu ‘ídolo’. Você sabe a que horas vai chegar, ele sempre flui muito bem, tem um vindo a cada 3, 4 minutos no máximo, nas horas de picos tem gente em pé, mas nada de aperto… Tem como não amar?! Beijo pro meu pai, pra minha mãe e pro metrô.

5. Hábitos de higiene são sim culturais.

Tá, tem um mínimo que é universal, mas existe muita coisa que é fruto da nossa sociedade. Se você achava que eu ia falar da falta de banho dos parisienses, não é bem isso. (Até porque faz pouco mais de 1 mês que cheguei, não tenho intimidade com eles)

Mas o que você me diria de um gato bem gordo dentro de um restaurante passeando impunemente por entre as mesas? Pois é… Minha primeira reação foi: chama o garçom para tirar, que falta de higiene!  Mas aí olhei bem pro gato: tinha coleira, estava bem cuidado e gordo e parecia não incomodar ninguém. Ou seja: era o gato do restaurante. Tive de terminar de comer na presença do gato que deve passear à noite à caça dos ratos que comem o mesmo queijinho que eu.

6. Quer mandar carta? Vai na máquina.

Aqui você compra os selos na máquina sozinho e envia as cartas. Essa foi uma experiência terrível, porque eu não entendo (ainda!) bem o francês. Imaginem eu e a máquina, juntas. Foi cômico!

7. Nota 20!

Muito louco pra quem é brasileiro, mas aqui nota boa é 12. Oi?! 12?! Queridão, aqui o máximo é 20 e não 10. Então ‘estar na média’ é tirar 12!

8. Seja rápido.

Nada de lerdeza aqui. Ninguém quer perder tempo com você. Pergunte diretamente, sem contar uma longa estória, escolha o prato rápido!, já está com o dinheiro na mão?, fale rápido!. Isso para uma libriana é uma dificuldade que vocês nem imaginam…

9. Se você quer, faça você mesmo.

Atividades manuais que vão necessitar o tempo de uma pessoa são bem caras. Chaveiro é caro, costureira é caro, sapateiro é caro… Nem vou mencionar um marceneiro, um encanador, que aí a coisa fica séria. Tudo que demanda o tempo do outro é bem caro. Agora se você quer comprar algo que uma máquina fez, fica tranquilo, é bem mais barato que no Brasil.

E isso inclui coisas bem simples. Quer comprar tecido? Corte-o você mesmo. Quer tirar xérox? Tire você mesmo. Quer comprar sapato? Pegue a caixa você mesmo. A lógica é a do “do it yourself!“.

10. Tudo de pouquinho.

crepe

Minha comida de muitos dias: crepe. Esse é de nutella. E com a vista incrível do jardim de Luxemburgo. Foto: naViagemcomCamila.

Me perguntaram quantas vezes por semana vou ao mercado. Umas 4. Aqui é difícil rolar isso de fazer as compras para mais de 1 semana. Eu e meu noivorido (noivo com marido) até tentamos fazer as compras para 1 semana, mas sempre tem de voltar lá, porque não dá para carregar tudo de uma vez. O que percebi é que os franceses geralmente compram o que vão comer naquele dia, no próximo no máximo.

Camila teorizando sobre o assunto… Essa compra de comida aos poucos, totalmente diferente do American Way of Life, tem algumas explicações:

  1. Europeus viveram guerras na porta de casa. Isso dá outro valor à comida. Eles não desperdiçam nada!
  2. Nem todo mundo usa carro, então não dá pra sair com um monte de compras carregando pelo meio da rua.

Tem mais um monte de coisas que vou todo dia aprendendo, descobrindo… Em breve volto com mais novidades da vida na França, de uma experiência diferente no exterior. 🙂

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15 Respostas para “10 coisas que eu descobri morando na França.

  1. Gostei muito das suas observações de recém-chegada. Só uma pequena explicação sobre a máquina dos correios: quem gosta de enviar correspondência e receber não vai de jeito nenhum na máquina, é o maior sacrilégio!!! Os franceses são um dos povos que ainda são muito ligados à correspondência escrita (os jovens menos), e valorizam os selos “de verdade”, que aqui são lindos!!! São dezenas ou mesmo centenas que são lançados todos os anos. Guarde as etiquetas da máquina para enviar para os impostos e outros serviços administrativos, para correspondência pessoal sempre compre selos bonitos!

  2. Pingback: Viva os 2 anos do blog! | naViagemcomCamila·

  3. Estou amando seus postes,aliás sou apaixonada pela cultura francesa e meu sonho é ir pra frança 😀
    Gostei de tudo,só que comer com um gato na mesa,huuum… Não gostei da ideia ! Rs…
    Tudo de bom pra você e muito obrigado pelas observações ditas .

  4. Oi Camila, como vai?

    Achei seu blog por acaso, eu ando pensando em estudar pós-graduação 1 ano em Paris e queria pedir algumas dicas… Eu tenho cidadania italiana e teria ajuda financeira dos pais, você aconselha a morar aonde? Digo, eu pensei naquele programa de alugar um quarto na casa de idosos. Como são os franceses? Eu falo apenas inglês, será que serei muito mal tratada até aprender a lingua? rs.. O curso que pretendo fazer é ministrado em inglês. Outra coisa, como está a crise aí? Será que depois que terminar o curso consigo emprego na área caso queira ficar? (sou estilista)… Acha que muda muito por ter a cidadania?

    Agradeço desde já, um beijo!

    • Lu-í-saaaa!

      Você me encheu de perguntas, mulher de Deus! kakakak Vamos por partes:

      – Não conheço esse programa de alugar quarto na casa de idosos, fiquei curiosa pra saber como funciona. Se você tiver um link do assunto eu iria adorar ler.

      – Os franceses são muuuito diferentes dos brasileiros. Morar com eles vai exigir uma boa dose de adaptação e flexibilidade sua. Na verdade todo mundo é diferente de todo mundo. Mas o que eu acho que pega mesmo é o fato de (não todos, mas uma boa parte) eles serem meio turrões e rígidos com as regras deles.

      – Eu sou que nem você: falo inglês e estudei francês sozinha por 4 meses no Brasil. Faz 1 mês e meio que cheguei e vou te contar: eles não fazem a menor questão de entender sua língua e não falam bem o inglês (mesmo boa parte dos que dizem falar). Não é birra deles com o inglês, é que eles não falam mesmo. Aí junta com o jeitinho pouco paciente deles e pronto: ou você fala francês ou fala! Mas nada que você vá morrer, é uma experiência.

      – O emprego é uma incógnita. As pessoas com as quais eu falo (que são estrangeiras) estão em busca de emprego e dizem que está um pouco difícil. A preferência é pelos franceses que estão num equivalente do seguro desemprego, depois vem a galera da UE e depois vem os outros. Se vc tem a cidadania pode facilitar, mas não garante nada.

      Espero ter ajudado.
      Beijão.

  5. Que bacana ler seu relato da vida parisiense. Esse hábito dos mercados já incorporei. Sempre acham estranho como quase todo dia estou com sacola de supermercado hahhaha .Bjos, Camila.

  6. Cunha…. Compartilho com vcs essas descobertas. Fiquei rindo ao ler esse post e me lembrando de mim mesma alguns anos atrás. A diferença do American way o do povo chic way é realmente essa q vc falou. Aqui o povo compra pra não acabar nunca, a maioria das minhas amigas ( eu tb) tem duas geladeiras em casa. 😁 coisa de doido né!!!!

    • Cunha,

      As descobertas são das mais simples às mais complexas diariamente. É o período de novidades, que eu adoro! Mas não é fácil. Muito mico e estória pra contar.
      Agora essa das 2 geladeiras em casa eu não sabia! Adorei!!! Kakakakaka
      Beijão.

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