O manual do novo Recifense.

Esse é o manual definitivo pra você que está curioso e quer saber: quem é o recifense?

😛

Se você é novato na área, e há muuuitos com a chegada do Porto de Suape, precisa se inteirar do modus vivendi do recifense. Esse é o caso da minha leitora Adriana Passador que me pediu pra explicar como rola “ax parada” aqui (de cara já sabe que tem de “xiar” pra se integrar no seio da sociedade recifense, né?). Ela me pediu umas dicas do que é preciso saber sobre os recifenses.

bandeira recife

A bandeira de Recife e uma recifense de coração. Foto: naViagemcomCamila.

Pois bem, baseada em minhas observações antropológicas ao longo de 14 anos na cidade que ganhou meu coração, preparei um Manual completíssimo de um cabra chamado recifense. O que come? Onde vive? Quais suas preferências? Veja aqui e agora!

OBSERVAÇÃO! Antes que apareçam os críticos de plantão: os pontos levantados no texto não refletem necessariamente minha opinião pessoal. Ele generaliza e como toda generalização, está sujeita às exceções. Não é intenção do texto ofender os matutos (até porque eu sou uma delas!), os olindenses, as torcidas de cada time, ou denegrir a imagem do recifense. O texto é uma brincadeira sobre o modo de vida do recifense, tá pessoal?  

Léxico do Recifense

  • É massa!

Todo recifense que se preza diz: massa! Claro que tem o clássico “visse” e o “vixe” (que tem empregos diferentes, cuidado!). Visse é interjeição de confirmação, já o vixe é de espanto, visse? Mas, afora a linguagem nordestinesca clássica, a bola da vez é o “massa”.

  • “Um cheiro”

Todo mundo manda cheiro ao invés de beijo, mas atenção: é só pros mais íntimos!

  • “Boyzinho e boyzinha”

Aqui todo mundo é boyzinho, masculino, ou boyzinha, feminino.

Mas a lição mais importante DE TODAS:

Pelamooor, não é praia DA Boa Viagem!!! É simplesmente: Boa Viagem, no máximo EM ou DE, tipo assim:

– Bora na praia?

– Bora, domingo em Boa Viagem!

E se você quiser ser um profundo conhecedor de Nordestinês, venha por aqui: Nordestinês.

Sociologia Recifense e tensões sociais.

  • Zona norte versus zona sul.

Meu amigo, não misture as coisas senão complica: amizade é amizade, moradia e moradia! Se você mora em Casa Forte, você detesta Boa Viagem. Você acha lugar de novo rico, sem alma. Não importa quantos amigos legais você tem por aquelas bandas. Se você é garoto BV, não sabe se guiar por ruas curvas e acha a zona norte decadente, lugar de hippie chique.

Se te chamam pra ir no barzinho da zona oposta, é de lei: reclame, diga que podia ser + perto, num lugar melhor… Claro que esse “lugar melhor” e a zona que você mora. 😛

  • Interior versus Capital

Há tensões sociais também entre os originários do interior e os nascidos e criados no Recife. Os do interior costumam viver em segregação, nos bairros da Zona Norte. Vão a todos os eventos de Vaquejada, Último forró do ano, tomam cerveja na Boa Vista e eventualmente estão de camisa xadrex e chápeu. Não comem sushi e nem vão às boates porque não gostam daquele “tuts-tuts-tuts”.

Os recifenses de “berço” acham os matutos tudo besta, mas quando chega o São João correm pra festejar nas cidades dos matutos e adoram!! Já os matutos costumam se referir aos recifenses como menino-criado-com-vó-em-prédio-com-grade. Muito amor, né?! 😛

  • Recife versus Olinda

A maioria nega, mas há certa rivalidade entre as cidades-irmãs. Olinda se acha o máximo porque é a irmã mais velha e conseguiu fechar o McDonalds que lá havia (fora capitalismo!). Ela se acha a intelectual, a cabeça. Recifense acha Olinda coisa de hippie chique cabeça de vento, mas todo carnaval bate ponto nas ladeiras de Olinda.

Questão psíquica – o complexo de superioridade.

  • A melhor capital de todas as galáctias!
eu amo recife

Os adesivos distribuídos no carnaval, declarando o amor por Recife. Foto: naViagemcomCamila.

O complexo de superioridade do recifense e o maior e mais conhecido de todos. Kakskaka. Então, nada de achar que tem um lugar melhor que Recife, pelo menos no Nordeste. Você pode dizer que Jampa é legal, simpatizar com Aracaju (evite Salvador, nosso concorrente direto!), mas bom “mermo” é a Terra dos Altos Coqueiros.

A China pode ser melhor, mas Maceió não!

Ah, e vocês sabiam que temos a maior avenida em linha reta da America Latina?! E que durante anos tivemos o maior shopping da América Latina?!

Pois é, pois é, pois é, pois é… 😉 😉

As crendices populares

  • “Vai ter enchente!”

Tooodo recifense que se preza acredita em boatos os mais absurdos possíveis. Enchentes que vão alagar a cidade, tubarões na Agamenon Magalhães, arrastões, apagões… Toda espécie de evento extraordinário já foi boato que fechou o comércio e deixou a cidade em estado de alerta. Juro!

Como proceder? Diante de um boato (o mais comum é a enchente de Tapacurá, uma represa que vira e mexe tá na boca do povo), espalhe ele o máximo possível. Diga que está dando na rádio, no trabalho a cada 30 minutos retome o assunto. Assim você contribui para manter Recife bem posicionada no ranking de Cidades Onde o Boato vira Verdade.

Clima

  • Fez 20º, pegue seu casaco!

Devido às altas temperaturas do ano todo, quando faz menos de 22º já é hora de usar seu look inverno! Nos meses de junho, julho e agosto prepare-se pro inferno das chuvas e alagamento (esses não são boatos). Essa geralmente é a época do “frio” de 20º.

Cultura e Lazer Recifense

  • Domingo vamos à praia?

Tem 2 tipos de gente: as que vão a praia e as que não vão à praia. E se você é do tipo que vai à praia, saiba o que rola na praia em Recife aqui: Praia de Boa Viagem. Esse link tem o manual da praia. Leitura obrigatória para entender como se portar, o que comer, o que fazer e como socializar com a sociedade recifense.

Boa Viagem é tranquilo. Tubarão?!?! É, tem sim…

As pessoas que vão à praia são geralmente as que vão ao shopping (o outro habitat natural do recifense). O contrário não é verdade: as que não vão à praia não necessariamente são as que não vão ao shopping.

  • É boate nova? Vá logo!

Recife tem uma maldição da Boate. Toda boate que abre fecha suas portas em, no máximo, 3 anos. Única exceção é o Downtown que tá aí há uns 15 provando que tem santo forte. Portanto, não deixe pra depois a boate que pode ser ida hoje.

Se você não quer frequentar os lugares “dos locais” e ainda quer ser turista, veja o roteiro arretado que preparei pra tu aqui.

Referências e figuras ilustres

frevo

O frevo de Alceu, todo santo ano nas nossas vidas, mas somenteo durante o carnaval: Foto: naViagemcomCamila.

  • Chico é príncipe, Alceu rei uma vez por ano!

Não importa o quanto você conheça sobre ele, mas você tem de gostar desse moco: Chico Science. Decore os versos:
“Uma cerveja antes do almoco e muito bom pra ficar pensando melhor” e…
“Maaaaanguetown, andando por entre becos, andando em coletivos”

Lenine é da terra, mas só deve ter status de figura importante quando morrer ou começar a fazer frevos. Fazer o quê, né?

Já Alceu é mais tranquilo, você só escutará no carnaval e de tanto escutar decora rapidinho. Ele é unanimidade geral uma vez por ano. Durante todo o resto dele o esqueceremos, até que virá o carnaval e ele volta com tudo!

Esporte

  • Os times de futebol.

Então, ponto importante para você é ficar por dentro do mapeamento antropológico das torcidas. O senso comum sobre os 3 maiores times:

– Santa: time pobre, sofredor que todos os torcedores dos outros times tem pena.

– Náutico: time estilo burguês falido,  sofredor também, mas ninguém tem pena.

– Sport: novo rico, o que menos sofre e por isso é alvo da ira dos torcedores de outros times.

Gastronomia recifense

  • Que tal um temaki?!

Sushis se proliferam por todos os lados! É a nova mania recifense. Na verdade, a novidade são os temakis. Se você não os come, dificilmente conseguirá ter uma vida social. À menos que saia com os matutos pro Mercado da Madalena e coma macaxeira com carne de sol.

  • Sopa!

Nordestino não come a mesma comida no almoço e jantar. No jantar é sopa, mermão! Tá, tem macaxeira, cuscuz, inhame… Mas sempre tem a sopinha. É de lei!

  • Chopp?! Não, whisky, por favor.

É um calor dos infernos, você pensa que seria ideal um chopp, mas a bebida da noite (e do dia também) é o whisky. Não tô brincando: Recife é a capital brasileira que mais consome o destilado. Tem vários clubes da bebida e toda festa como casamento, formatura ou reuniãozinha em casa tem de ter a bebida dos escoceses.

Pra entender da gastronomia regional, e não só local, venha por aqui: Comidinhas típicas da minha terra.

Checklist – Como bem interagir com recifenses:

  • Lá é massa!” – diga sempre!
  • Decorar o refrão do hino de Pernambuco
  • Vai beber o quê? Whisky!
  • Não tentar imitar nosso sotaque como nas novelas da Globo, é tosco!
  • E a dica final, pra fechar com chave de ouro:

A gente não diz Rééééécife! Isso é invenção de vocês! Nós dizemos: Recife!

😀 😀 😀

O Theatro Santa Isabel, um clássico de Recife. Foto: naViagemcomCamila.

O Theatro Santa Isabel, um clássico de Recife. Foto: naViagemcomCamila.

Espero ter ajudado a decifrar esse povo de Recife. Fala sério, a gente até que é legal, né não?! Kakakaka

Amigos recifenses, podem ir nos comentários e incluir, dizer se concordam/discordam, dar sugestões, pistas sobre esse boyzinho chamado recifense. Amigos não recifenses: espero ter ajudado. 

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7 Respostas para “O manual do novo Recifense.

  1. ESSE XIADO RECIFENSE ARRASTADO NINGUEM MERECE, MAS DAS METROPOLES REGIONAIS DO NE FOI A UNICA QUE MANTEVE O FONEMA T-D NA SEMI-VOGAL I COMO RECEBEU DOS TUGAS (E COMO FALAM ITALIANOS E OUTROS OCIDENTAIS A SERIO)

  2. Uma das coisas q mais escuto “quando abro minha boca”: Nossa… Vc nao fala q eh de Récife e sim Rêcife… 😜 .
    O Downtown eh tão antigo q EUzinha frequentava quando tinha 15 anos… Era o bar da moda na época…. To velha mermo!!! Bjo

  3. Ahahahhaa… Rindo muito com seu post Camila. Conheci Recife semana passada e curti bastante. Faltou falar que o bolo de rolo pernambucano é inimitável em todo o nordeste. Os estados vizinhos até tentam, mas não conseguem. kkkkkk…

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